domingo, 10 de maio de 2015

“Ela não foi gerada no meu útero, mas sim no meu coração”

No Dia das Mães, ser de sangue é o de menos: o mais importante é ser por amor

“Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não se apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento”. Como bem descreveu o poeta Carlos Drummond de Andrade, mãe é eternidade. E não precisa ser de sangue. 

Neste Dia das Mães, que está sendo comemorado hoje, 10, duas grandes mulheres, que tornaram também grandes duas meninas, contam suas histórias. Marlene e Claudia são a prova de que sangue é o que menos importa, quando se tem amor. E o amor que elas sentem por suas filhas é comprovadamente gigante. 

Maria Marlene já era mãe de Elizangela quando adotou Juliana Paulino, hoje com 21 anos. A decisão de ceder espaço no seu coração aconteceu quando ela descobriu que não poderia ter mais filhos. “Eu perdi um bebê e tive que tirar as trompas, quase faleci e meu sonho era ser chamada de mãe novamente”, explica.

Com isso, seis anos depois Juliana estava em seus braços. “Ela não foi gerada no meu útero, mas sim no meu coração. Quando a peguei pela primeira vez... É impossível descrever! Era muita emoção, uma felicidade que não cabia dentro de mim, foi a realização de um sonho. Eu aguardei muito por isso”, lembra.

Aos 8 anos, Jú teve o direito de saber que foi adotada, mas isso não mudou em nada a relação familiar. “Era muito importante ela saber da adoção, para não ter decepções quando crescesse. Era a história dela e a verdade sempre prevaleceu”.

“Quando eu descobri, lembro como se fosse hoje das palavras: ‘Você não nasceu na minha barriga e eu não carreguei você por 9 meses, mas você foi tão aguardada, você foi o meu desejo mais profundo, veio do meu coração’”, contou Juliana, que ainda diz que não poderia ter uma mãe melhor.

Sobre ter mais filhos, Marlene, que é viúva, diz que não pretende. “É difícil dar uma boa educação nos dias de hoje e pra mim já foi uma realização. Eu faria tudo de novo, passaria tudo de novo por ela”, completa.
 E ainda, o neto Victor Hugo deu mais uma chance de Marlene ser mãe. “Ser vovó é ser mãe pela segunda vez e o Victor é o menininho que eu não tive, ele significa minha vida”, completa.

Já Claudia Rodrigues não pensava em adotar. Quando decidiu que teria uma filha, estava fazendo exames para saber o porque de não conseguir engravidar. “Minha mãe disse que uma conhecida teria um filho e que tinha decidido não ficar com a criança e ela me perguntou se eu queria ficar com a criança e claro que eu quis”, explica.

E a decisão não foi errada, Sarah Rodrigues entrou na vida de Claudia só para somar. “Ela foi feita sob encomenda pra mim, nunca tive nenhuma dificuldade. Ela sempre dormia bastante e até tinha que acordá-la para mamar. Foi uma benção em minha vida”, comenta. 

Mãe de primeira viagem, Claudia lembra da primeira vez que pegou Sarah no colo. “Foi uma emoção sem tamanho, indescritível. Ela sempre será minha menininha”. 
Hoje mãe de mais dois meninos, Claudia explica que o tratamento é igual. “O que faço para um eu faço para todos, não existe diferença entre eles”, diz. 

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segunda-feira, 23 de março de 2015

“A sociedade não está pronta para recebê-los”, diz psicóloga da APAE

Dra. Márcia Taparelli explica que todo portador tem direito de ser humano

Da esquerda para a direita: Rodrigo Rosa, Zé Carlos, Clarinha, Michel Brunelli e Anderson Moscatini são
alguns dos assistidos pela APAE 

O Dia Mundial da Síndrome de Down foi no último sábado, 21, e merece ser celebrado todos os dias, isso porque muitos acreditam que o portador da Síndrome é diferente dos demais seres humanos. Mas em conversa com as psicólogas da APAE de Valinhos vemos que o panorama é diferente.

“Não é o Síndrome de Down (SD) que não está pronto para ser inserido na sociedade. É a sociedade que não está pronta para recebê-los”, explica a psicóloga Dra. Márcia Hoguiuda Taparelli, que trabalha há 17 anos na APAE.

A também psicóloga Ana Paula Dias Klinke, há oito anos na APAE, conta que os SD são capazes de tudo. “Eles se dão os próprios limites, têm amizades com outros colegas da instituição e se ajudam entre si. Todos crescem e essas amizades são muito importantes”, explica.

Dra. Márcia conta que não existem graus na Síndrome. “A APAE trabalha com a família e mostra que o papel dela é fundamental no desenvolvimento da criança. A nossa primeira luta é pela vida, a Síndrome fica em segundo plano, isso porque muitos apresentam doenças, como a cardiopatia, a dificuldade em ganhar peso, e outras. Cada um tem suas particularidades”, lembra.

Com isso, o papel da APAE é deixar o aluno ao máximo na rede regular, dando estimulação precoce e todo apoio às famílias. “Alguns pais têm medo, mas os preparamos para enfrentar o preconceito, para saber lidar com os SD, pois eles são 100% eles todos os dias, e é preciso entender isso”, finaliza Dra. Márcia.

“Nesta data vamos celebrar todas as conquistas dos portadores. Em primeiro lugar os pais, em segundo as instituições e depois eles, pois sem estes dois primeiros nenhum estaria onde está hoje, tendo o direito de amar, estudar, o direito de ser feliz. Direito de ser humano”, completa.

A família
Inez Borges da Costa, de 35 anos, é mãe de Maria Clara Costa Magalhães, de 10. A filha que frequenta a APAE uma vez por semana para acompanhamento psicológico, e fisioterapeutico, é como qualquer outra criança, mas  ainda sofre preconceito na rua.

“Até hoje, em parques, as mães tiram os filhos de perto. No shopping, na escada rolante, vejo as pessoas me chamando e penso ‘será que é comigo?’. E eles chamam porque querem ver a Clarinha, como se ela fosse de outro mundo. Não me incomoda mais, mas isso precisa ser trabalhado na sociedade”, explica.

Clarinha, que desde os 3 anos está na APAE de Valinhos, se desenvolveu graças à família. “Se não fosse a APAE, que me orientou, hoje seria diferente. A Dra. Márcia foi um divisor de águas na minha relação com a Clara, é muito importante esse apoio pra família. Aqui aprendi que não sou psicóloga ou profissional, sou a mãe da Clara e ponto”, finaliza.

A APAE
A APAE de Valinhos trabalha com 25 portadores da Síndrome de Down, sendo que alguns frequentam a entidade todos os dias e outros apenas uma vez por semana para acompanhamento psicológico e fisioterapêutico.
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TEATRO VEM SER

Teatro ajuda no desenvolvimento de assistidos da APAE
Portadores da Síndrome de Down, junto de outros deficientes, fazem parte do Grupo Vem Ser

Acometidos por uma alteração genética, os portadores de Síndrome de Down (SD) são, realmente, pessoais especiais, mas não por suas condições e sim pelas pessoas que são. Na Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), o Grupo de Teatro Vem Ser é um grande exemplo de como o SD pode e deve ser inserido na sociedade.

Michel Brunelli, portador da SD e um dos atores, quando perguntado sobre como o grupo ajuda em sua vida foi categórico: “tudo”. O rapaz , de 33 anos, frequenta o teatro há anos e sabe da importância da expressão em sua evolução e tem certeza da sua capacidade em ser como todos os outros que são considerados “normais”.

E normais mesmo são as atitudes do SD, assim como de todos os outros deficientes que freqüentam a APAE. “Nosso dever é refazer o preconceito que as pessoas têm com todos os deficientes”, explica Deise Kratza, que faz parte do grupo e é amiga de todos os colegas que têm a Síndrome de Down.

Ana Paula Tieko, coordenadora do teatro, explica que essa interação entre eles é necessária e traz bons frutos. “Em uma discussão a respeito do teatro que apresentamos nesta sexta, em homenagem aos portadores da Síndrome, os deficientes e os downs chegaram a uma conclusão: são todos iguais. E isso é interessante, pois eles se ajudam, cada um dentro de suas limitações, desde subir no ônibus, até controlar quando um está mais animado do que o normal”, diz.

E essas atitudes são reflexo da participação no teatro, que traz uma mudança de postura e conduta de todos. “O síndrome tem dificuldade de expressão oral, facial, gestual. Tem retração social que dificulta a convivência e o teatro traz a oportunidade de desenvolver habilidades”, diz Dra. Márcia Hoguiuda Taparelli, psicóloga da APAE.

E o reconhecimento que os alunos recebem é de extrema importância. “É muito bom os alunos serem reconhecidos. Eles freqüentam empresas e são vistos, são incentivados e motivados a participarem”, completa Ana Paula Dias Klinke, também psicóloga.

Participação
Segundo Ana Paula Tieko, os participantes não são escolhidos para o teatro. “Eles começam a fazer parte do grupo por demonstrarem interesse, por terem desejo. Eles se comprometem e têm muita dedicação e responsabilidade com o grupo”, explica.

Ainda de acordo com Ana Paula, o teatro visa contar para a sociedade como é a vida dos deficientes. “Mostrar para o público como eles enxergam a sociedade também é importante. A gente sempre passa o recado 'na lata', sem dar muitas voltas, indo direto ao assunto”, finaliza.

O Grupo Vem Ser tem apoio da Secretaria de Cultura de Valinhos e mais informações podem ser obtidas através do Facebook www.facebook.com/vemser.teatro ou pelo telefone (19) 3303 4500.


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terça-feira, 10 de março de 2015

Maria da Penha diz que mulher tem direito de viver sem violência

Símbolo maior da luta contra a violência doméstica, Maria da Penha diz que para Lei ser consolidada é preciso ações do poder público

Em especial para o Dia da Mulher, a Folha de Valinhos trouxe uma entrevista exclusiva com a mulher símbolo da luta contra a violência doméstica, não só no Brasil, mas também no mundo. Maria da Penha, conhecida por ter seu nome estampado na Lei que defende as mulheres, falou sobre o trabalho de sua instituição, sobre a responsabilidade da causa e outros assuntos referentes à Lei 11340/06, sancionada em 2006, pelo então presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva.

Vítima de agressões de seu ex-parceiro, Maria da Penha, no ano de 1983, não precisou denunciar o agressor. “A Secretaria de Segurança descobriu que fui agredida através de um assalto simulado pelo meu ex-marido. Fiquei hospitalizada e seis meses depois a polícia chegou a essa conclusão”, explica.

Entretanto, com uma realidade bem diferente atualmente, a mulher, mesmo amparada pela Lei, ainda tem medo de denunciar a violência. “Eu não tive medo, porque estava com as provas reais no meu processo, tudo muito evidente. Houve uma clareza por parte do promotor, do advogado e do defensor. Não havia nenhuma dúvida de ele ser o autor das tentativas de homicídio”, explica Maria, que ainda comenta que, além do tribunal, nunca mais teve contato com o ex-parceiro.

Neste panorama, Maria faz questão de ressaltar que a mulher agredida precisa ser inteligente. “É preciso inteligência ao usar a lei. Além disso, não é preciso avisar ao agressor de que ele será denunciado, é preciso, sigilosamente, procurar ajuda e se a mulher não souber onde procurar, existe o número 180, que é gratuito e funciona todos os dias da semana, 24 horas por dia, onde o atendente é capacitado para orientar a todas”, lembra.

Maria da Penha ainda comenta que antes mesmo da denúncia, a mulher pode procurar um centro de referência. “Os centros são locais excepcionais de atendimento, onde a mulher tem serviço psicológico, jurídico e social. Lá, ela vai ser orientada de como sair da situação e, assim, depois, ela decide, dentro de sua consciência, o que fazer da vida dela. E também, existem as casas de abrigo, que mantém em sigilo o local qual a mulher está, para que a mesma possa ter segurança de todas as maneiras”, explica.

Porém, não são todas as cidades que contam com o necessário para a proteção da mulher. “A única coisa que está faltando para a Lei ser consolidada em todo território nacional é os próprios prefeitos se conscientizarem de que é preciso ter um centro de referência, uma Delegacia da Mulher, Juizado e a Casa Abrigo. Mas também a mulher que mora em um município pequeno pode ser transferida para um abrigo em uma cidade maior”, finaliza.

Quanto à responsabilidade de ter seu nome estampado na Lei, Maria da Penha é orgulhosa. “Sei que preciso lutar, alertando que toda mulher tem direito a uma vida sem violência. E toda mulher pode ter essa vida. Exatamente por isso temos uma lei que pune o agressor”, lembra.

A luta
A batalha travada contra o agressor de Maria da Penha durou 19 anos e seis meses. “Quando faltavam seis meses para o crime prescrever, uma ONG internacional (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) teve acesso ao meu livro 'Sobrevivi' e o tramite do caso foi julgado fora do país, sendo o Brasil condenado depois”, isso porque a agressão sobre Maria da Penha foi considerada a primeira violência doméstica no mundo todo.
Mas condenado em 1999 a oito anos de prisão, o ex-marido foi solto dois anos depois. “Eu acho que uma punição dessa não representa punição, mas as leis eram assim na época em que ele foi julgado. Agora também teremos a Lei do Feminicídio (que será sancionada na segunda-feira, 9, e tornará o assassinato de mulheres um crime hediondo), que é muito importante, porque agora teremos mais agilidade nos casos e uma dureza maior nas penas”.

O instituto
O Instituto Maria da Penha (IMP) com sede em Fortaleza e representação em Recife é uma organização não governamental sem fins lucrativos. “Através da educação, levamos para as comunidades informações, mostrando o quanto as mulheres são livres e ensinamos como identificar uma mulher que tenha sido vítima de agressão. Além disso, trabalhamos com universidades e também visitamos escolas”, explica Maria da Penha.

Mais informações sobre a instituição podem ser obtidas no site www.mariadapenha.org.br
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domingo, 11 de maio de 2014

Três mães, três histórias e três filhos...

Não importa a idade, a crença ou a cor, não importa se é de sangue ou de criação, o que muda é só o  endereço e o sobrenome. Mãe é mãe. E por isso, neste Dia das Mães, comemorado neste dia 11, a Folha de Valinhos traz as histórias de três jovens, que tiveram de abdicar de momentos da adolescência para se dedicar aos cuidados com os filhos e se adequar às responsabilidades de crescer de um dia para o outro.

As vidas de nossas três personagens estão ligadas. Antes de compartilharem histórias de fraldas, choros e brinquedos, elas dividiam cadernos e lápis na Escola Estadual Alves Aranha, onde estudaram juntas da 5ª a 8ª série.

Tamira, 20 anos, e o filho Gustavo, 4 anos
A primeira a ter filho foi Tamira Guedes, atualmente com 20 anos. Antes protagonista de sua própria história, agora Gustavo Guedes de 4 anos, é o personagem principal da vida dela. A jovem descobriu que estava grávida aos 15 anos, quando tinha acabado de entrar no Ensino Médio. “Eu já desconfiava, então resolvi fazer o exame de sangue, que foi a confirmação. Inicialmente me vi perdida, fiquei com muito medo e fui muito criticada, porém isso nunca afetou a minha decisão de ter o Gu”, explica.

Na época, Tamira abandonou a escola e perdeu oportunidades de emprego, mas isso não foi e nem é um problema, o Gustavo chegou para somar e mudou sua vida para melhor. “Antes eu era menina, virei mulher. Precoce sim, mas não me arrependo, ele é meu maior tesouro e não vejo minha vida sem ele, é minha razão, meu amor maior, meu melhor amigo, meu bebê”, conta.

A primeira palavra de Gustavo foi “mamãe”, mas o momento mais marcante dessa história de amor foi o nascimento do pequeno. “Quando ele chegou foi que realmente caiu minha ficha”, lembra ela, que ainda diz que “o primeiro dia de aula, os primeiros passos e a primeira ‘namorada’, também ficarão para sempre na memória”.

Juliana, 20 anos, e o filho Victor Hugo, 4 anos
A segunda a ser mãe, foi Juliana Paulino. Aos 15 anos, ela descobriu estar grávida de Victor Hugo. Agora aos 20, o garotinho de 4 anos se tornou um anjo em sua vida. Ele veio para preencher o espaço que o pai da jovem havia deixado. “Me desesperei e chorei muito no início da gravidez, pois além de ser muito nova, meu pai estava em fase terminal de um câncer e veio a falecer um dia antes do nascimento do meu filho”, lembra.

Juliana passou a ter novas responsabilidades e deixou de pensar só nela. “Eu nunca imaginei que fosse capaz de ter sentimentos tão fortes, mas passei a pensar apenas naquele bebezinho que precisava 100% de mim. Sendo mãe do Victor Hugo fiquei mais feliz e tive a dor da perda do meu pai amenizada. Meu filho me ensinou o verdadeiro significado da palavra amor”.

Ela conta que muitas pessoas foram indelicadas e maldosas quando ela revelou a gravidez. “Me falavam coisas que me magoavam, porém, a grande maioria me ajudou, inclusive, tive o apoio de muitas pessoas e ganhei o enxoval inteiro e não precisei comprar fraldas durante o primeiro ano do Victor, pois ganhei muitas”, conta ela.

Sobre o novo rumo que sua vida tomou, ela explica que teve que deixar de ir à escola, mas fez as lições e as provas em casa e passou de ano normalmente. “Conclui o Ensino Médio, fiz um curso técnico e entrei em uma faculdade, o Victor não me atrapalhou em nada com relação aos estudos e minha mãe me ajudou e ainda me ajuda muito”, completa.

A primeira palavra que Victor disse foi mamãe e o momento mais marcante foi quando ele deu os seus primeiros passinhos. “Quando ele veio com aquele sorriso imenso no rosto andando em minha direção, foi inesquecível”, lembra Juliana.

Quando perguntada como seria a vida sem Victor, Juliana diz que não imagina. “Hoje, tudo se resume ao Victor. Minha vida não tem sentido algum se ele não estiver nela. Tudo é feito pensando nele e para ele”, completa.

“Nunca pude imaginar que sentiria o calor, a alegria, o amor e a satisfação de ser mãe! Só tenho a agradecer a Deus por agora eu ser uma mulher tão frágil e tão forte ao mesmo tempo e por Ele me permitir ser a responsável pela vida do Victor”, completa.

Gecopri, 20 anos, e o filho Ricardo, 1 ano
A terceira a se tornar mãe, foi Gecopri Fagotto Graça, ela teve Ricardo Struciatti aos 18 anos. Agora com 20, ela para pra pensar nas consequências de ser mãe cedo. “O Ricardo iluminou minha vida, deu sentido a ela e é impossível me imaginar sem ele. Costumo dizer que ele é meu rei, pois penso mil vezes antes de fazer qualquer coisa. Acordo todos os dias mais motivada para batalhar por um futuro digno para ele e tudo gira em torno das suas necessidades”, diz.

Mas, assim como as outras, nem tudo foram flores. Quando Gecopri descobriu que estava grávida, muitos a criticaram e a questionaram. “Falavam, ‘mas você é muito nova’, ‘não vai poder fazer uma faculdade’, ‘vai perder sua juventude, sua liberdade’”, mas nada disso fez com que ela se sentisse mal em carregar no seu ventre um neném.

Hoje, com um ano e três meses, Ricardo é o orgulho da mamãe. “Quando ele nasceu, veio junto um amor incondicional, surgiu uma nova mulher. Depois disso, quando ele deu seus primeiros passos e qualquer outra coisa que ele faça, me encanta”, completa.

* Matéria escrita para o jornal Folha de Valinhos - edição 2084 - 10/05/2014

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sexta-feira, 21 de março de 2014

Pais relatam a experiência de ter um filho com Síndrome de Down

Tão comuns quanto qualquer outro, o que os difere é apenas uma alteração genética

Eles têm muitas diferenças. Uns são mais independentes, outros são mais reservados, alguns já trabalharam e outros ainda não estão prontos para este desafio. Mas eles também têm muita coisa em comum. São exemplos de superação, de força de vontade e de alegria de viver. E, além disso, recebem um imenso amor das famílias, que os torna semelhantes a qualquer outra pessoa. 

No Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado nesta sexta, dia 21, a Folha de Valinhos conversou com famílias que contaram sobre o momento que descobriram o diagnóstico de que o filho era portador de um distúrbio genético.  

José Carlos nasceu há 29 anos. Quinto filho de Sr. Raimundo e dona Olinda, o caçula da família Gonzaga foi tão bem recebido quanto qualquer um dos outros irmãos. Embora a mãe tenha sofrido preconceito, nunca houve diferença e muito menos vergonha. "As pessoas saiam de perto e não deixavam ninguém brincar com o José, mas isso nunca foi problema para nós", conta a irmã Lúcia, que lembra que antigamente não havia muitas informações, e que embora atualmente esteja melhor, ainda há muito o que melhorar.

O jovem frequenta a APAE, faz teatro, futebol e outras atividades. José rabisca e escreve, mas nunca trabalhou. A comunicação em casa é ótima, assim como a relação entre todos. José chegou apenas para somar. 

Rodrigo é o único filho de dona Nair e Sr. Rosalino
Rodrigo Algeri de Rosa, de 37 anos, é filho único. Os pais Nair e Rosalino optaram por não ter mais filhos, pois, segundo o médico do casal, a chance de ter mais um com a Síndrome era possível. "Gostaria de ter tido mais filhos, mas era arriscado. Imagina cuidar de dois?", conta a mãe, dona Nair.

Rodrigo foi diagnosticado com Síndrome aos 2 meses de idade. "No início foi meio complicado, foi um susto, não esperava, para mim ele era como qualquer outro", lembra dona Nair. 

Mas ela não estava enganada, Rodrigo é igual a todos. Ele frequenta a APAE, toca gaita, torce para o Corinthians, ajuda nas tarefas de casa, faz teatro e é adorado por todos os vizinhos, que o acolheram muito bem. "O Rodrigo tem um pai carinhoso, ele mudou nossa vida para melhor", comenta Sr. Rosalino. 

Dona Cecilia cuidava de Anderson. Hoje é cuidada por ele
Anderson Moscatini, de 26 anos, foi descoberto com o distúrbio aos 8 meses de idade. Aos 9, ele já andava e aprontava pela casa. Caçula de cinco irmãos, a atenção é disputada até hoje. "Querem levar ele pra todo lado, minhas filhas até comentam que eu só quero ele para mim", conta a mãe dona Cecília, de 83 anos.

Mas isso tem um motivo. O pai faleceu quando Anderson tinha 8 anos de idade. Hoje, dona Cecília e o rapaz moram sozinhos. "Ele é um anjo em minha vida, não tem outra forma de descrevê-lo. Penso que quando eu for embora, gostaria de levá-lo junto, mas seria muito egoísmo da minha parte", conta aos risos.

Quanto ao dia da descoberta, Cecília diz que não imaginava. "Desde que cheguei do hospital a turma falava que ele era meio "japonesinho". A gente percebia que ele não respondia muito aos nossos chamados, mas fomos pegos de surpresa", explica.

Anderson entrou na APAE aos 8 anos, hoje sabe ler e escrever e trabalhou durante 9 anos na Papelaria Colegial. É carinhoso, atencioso e muito educado. "Onde estou ele está atrás, se eu deito ele deita perto, se vou à padaria ele me dá a mão, ele cuida de mim", relata dona Cecília.

 * Matéria escrita para o jornal Folha de Valinhos - edição 2377 - 22/03/2014

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Malabaristas: a magia do circo nas ruas

Gabriel Rossi e Luca Di Vito se dividem entre os estudos e a arte circense
    Quem são eles? Essa pergunta permeia a cabeça dos motoristas que param nos semáforos da Av. dos Esportes e dão de cara com artistas de rua. Há meses jovens são vistos fazendo malabares e arrecadando dinheiro nesta via. Mas, engana-se quem acha que eles estão ali apenas para ganhar um trocado. Os rapazes sonham mais alto e querem propagar a arte gratuitamente.

    “Conheci um amigo que viajou a América fazendo malabares e isso me inspirou. A gente quer mudar o cotidiano, atingir o sentimento e as percepções das pessoas”, explica Luca Di Vito, de 22 anos.

    O companheiro de picadeiro Gabriel Rossi, de 20 anos, compartilha do mesmo pensamento. “Seria hipócrita se dissesse que não é pelo dinheiro, mas também não é só por ele. Hoje a arte está sendo vendida e é um prazer poder mostrar a nossa para o povo, gratuitamente”, comenta.

    Os jovens se dividem entre a faculdade de Ciências Sociais na Unicamp e a arte circense. “Praticamos os malabares há pelo menos três anos. Nas ruas trabalhamos há dois. É uma correria normal igual de qualquer trabalhador. Às vezes até mais complicada, pois tudo sai do nosso bolso, começando pela passagem de ônibus e no final do mês precisamos pagar contas. ”, diz Rossi.

Rossi tem 20 anos
    Os espetáculos proporcionados pelos jovens são instantâneos. O semáforo fecha, eles entram em cena e encantam o público. E claro, existem sempre as saias justas. “É normal errar na hora dos números, tem que saber agir pra poder contornar”, explica Di Vito.

    Mas os desafios não impedem os garotos de continuar. Em qualquer lugar eles levam a arte. “Itatiba, Campinas e até em Minas já fizemos bastante trabalhos para poder comer ou dormir”, conta Rossi. Sobre o quanto recebem, varia. “Depende do dia, às vezes uma só pessoa é generosa e salva a gente”, completa.

    Os garotos não gostam de rótulos. “Muitas vezes as pessoas veem a gente na rua e não sabem porque estamos aqui. Não gostamos de nos definir, mas somos artistas de rua, malabaristas ou malabaristas e artistas de rua, não sabemos”, contam os dois aos risos.

    Com relação ao futuro, eles não pretendem parar com a arte. “Acho que sempre vou fazer isso, mesmo que for atingindo o público de um jeito diferente. Procuramos sempre evoluir, correr atrás sozinhos e meu sonho é viajar o mundo assim como meu amigo”, comenta Di Vito.


*Matéria publicada no jornal Folha de Valinhos - edição  30/11/2013



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sábado, 2 de novembro de 2013

Guarani: a esperança verde do interior

Estádio do time entra em leilão para sanar dívidas


O lugar preferido de Marcelle no Brinco de ouro: a arquibancada
Mais de 100 anos de histórias, atualmente na Série C do Campeonato Brasileiro, na Séria A2 do Paulista, sem técnico e com dispensas no time. O Guarani Futebol Clube não vive seu melhor momento. E antes fossem só estes os problemas da equipe alviverde, a única campeã do interior.

Na última quarta-feira (30), o Estádio Brinco de Ouro da Princesa foi a leilão por conta de dívidas feitas pelo clube durante os diversos mandatos fracassados. O débito acumula milhões de reais e o Brinco de Ouro está avaliado em 210 milhões, embora a diretoria acredite que a área equivale a, no mínimo, R$ 500 milhões. A falta de um lance mínimo impediu o clube de perder seu estádio.

Uma proposta no valor de R$ 105 milhões não foi aceita por ser menor do que o valor estipulado de início, 147 milhões. Dos males o menor. Com isso o clube mantém a posse do Brinco de Ouro, mas não impede a realização de um novo leilão. A Justiça avaliará a situação do estádio e deve agendar um novo evento em breve, com uma adequação do valor do lance mínimo.

O patrimônio histórico pode valer pouco para os dirigentes, que colocaram o clube nesta situação, mas para os torcedores, o Brinco de Ouro, vale mais do que qualquer quilate do metal precioso que leva no nome. “A última alegria que me recordo foi em 2004, depois só tristeza”, comenta Fabiano Duarte, conhecido em Valinhos como Bugrino. E ele ainda lembra das zoações que sofre todos os dias: “é tiração de sarro todo tempo, todos torcedores estão chateados, nunca vi o time nessa situação”.

Torcedor desde nascença, Bugrino frequenta o estádio com a família, que também é torcedora de coração. “Meu filho mais velho já jogou no Guarani, o meu mais novo participa do Projeto Bugrinho em Valinhos e meu tio, já falecido, Zé Duarte, foi técnico do time”, explica.

Ele também faz questão de comentar sobre a dificuldade de ser um time do interior. “A CBF – Confederação Brasileira de Futebol – nunca vai olhar para o Guarani. Cada dia caindo e se afundando mais, acabamos esquecidos”. E para 2014, ele espera pelo menos mais profissionalismo. “Subir para a Série A do Paulistão é obrigação, o Guarani não é time pra disputar a A2. E no Campeonato Brasileiro, não podemos esperar mais do que o acesso à Serie B”, torce.

E não são só os homens que sofrem com esse cenário. A valinhense Marcelle Marques, de 20 anos, vai em todos os jogos que pode e lamenta a situação. “Não importa a série. A,B ou C, estou lá! Espero que 2014 seja de muitas mudanças, capacidade o Guarani tem”, comenta ela.

E sobre o sentimento de pensar que um dia o Brinco de Ouro se vá, pois além da possibilidade de leilão, há também uma proposta para derrubar o estádio, ela é categórica. “Não consigo nem imaginar, mas espero que já tenham um bom projeto em mente”, completa.

*Matéria publicada no jornal Folha de Valinhos - edição  02/11/2013

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