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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Malabaristas: a magia do circo nas ruas

Gabriel Rossi e Luca Di Vito se dividem entre os estudos e a arte circense
    Quem são eles? Essa pergunta permeia a cabeça dos motoristas que param nos semáforos da Av. dos Esportes e dão de cara com artistas de rua. Há meses jovens são vistos fazendo malabares e arrecadando dinheiro nesta via. Mas, engana-se quem acha que eles estão ali apenas para ganhar um trocado. Os rapazes sonham mais alto e querem propagar a arte gratuitamente.

    “Conheci um amigo que viajou a América fazendo malabares e isso me inspirou. A gente quer mudar o cotidiano, atingir o sentimento e as percepções das pessoas”, explica Luca Di Vito, de 22 anos.

    O companheiro de picadeiro Gabriel Rossi, de 20 anos, compartilha do mesmo pensamento. “Seria hipócrita se dissesse que não é pelo dinheiro, mas também não é só por ele. Hoje a arte está sendo vendida e é um prazer poder mostrar a nossa para o povo, gratuitamente”, comenta.

    Os jovens se dividem entre a faculdade de Ciências Sociais na Unicamp e a arte circense. “Praticamos os malabares há pelo menos três anos. Nas ruas trabalhamos há dois. É uma correria normal igual de qualquer trabalhador. Às vezes até mais complicada, pois tudo sai do nosso bolso, começando pela passagem de ônibus e no final do mês precisamos pagar contas. ”, diz Rossi.

Rossi tem 20 anos
    Os espetáculos proporcionados pelos jovens são instantâneos. O semáforo fecha, eles entram em cena e encantam o público. E claro, existem sempre as saias justas. “É normal errar na hora dos números, tem que saber agir pra poder contornar”, explica Di Vito.

    Mas os desafios não impedem os garotos de continuar. Em qualquer lugar eles levam a arte. “Itatiba, Campinas e até em Minas já fizemos bastante trabalhos para poder comer ou dormir”, conta Rossi. Sobre o quanto recebem, varia. “Depende do dia, às vezes uma só pessoa é generosa e salva a gente”, completa.

    Os garotos não gostam de rótulos. “Muitas vezes as pessoas veem a gente na rua e não sabem porque estamos aqui. Não gostamos de nos definir, mas somos artistas de rua, malabaristas ou malabaristas e artistas de rua, não sabemos”, contam os dois aos risos.

    Com relação ao futuro, eles não pretendem parar com a arte. “Acho que sempre vou fazer isso, mesmo que for atingindo o público de um jeito diferente. Procuramos sempre evoluir, correr atrás sozinhos e meu sonho é viajar o mundo assim como meu amigo”, comenta Di Vito.


*Matéria publicada no jornal Folha de Valinhos - edição  30/11/2013



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sábado, 2 de novembro de 2013

Guarani: a esperança verde do interior

Estádio do time entra em leilão para sanar dívidas


O lugar preferido de Marcelle no Brinco de ouro: a arquibancada
Mais de 100 anos de histórias, atualmente na Série C do Campeonato Brasileiro, na Séria A2 do Paulista, sem técnico e com dispensas no time. O Guarani Futebol Clube não vive seu melhor momento. E antes fossem só estes os problemas da equipe alviverde, a única campeã do interior.

Na última quarta-feira (30), o Estádio Brinco de Ouro da Princesa foi a leilão por conta de dívidas feitas pelo clube durante os diversos mandatos fracassados. O débito acumula milhões de reais e o Brinco de Ouro está avaliado em 210 milhões, embora a diretoria acredite que a área equivale a, no mínimo, R$ 500 milhões. A falta de um lance mínimo impediu o clube de perder seu estádio.

Uma proposta no valor de R$ 105 milhões não foi aceita por ser menor do que o valor estipulado de início, 147 milhões. Dos males o menor. Com isso o clube mantém a posse do Brinco de Ouro, mas não impede a realização de um novo leilão. A Justiça avaliará a situação do estádio e deve agendar um novo evento em breve, com uma adequação do valor do lance mínimo.

O patrimônio histórico pode valer pouco para os dirigentes, que colocaram o clube nesta situação, mas para os torcedores, o Brinco de Ouro, vale mais do que qualquer quilate do metal precioso que leva no nome. “A última alegria que me recordo foi em 2004, depois só tristeza”, comenta Fabiano Duarte, conhecido em Valinhos como Bugrino. E ele ainda lembra das zoações que sofre todos os dias: “é tiração de sarro todo tempo, todos torcedores estão chateados, nunca vi o time nessa situação”.

Torcedor desde nascença, Bugrino frequenta o estádio com a família, que também é torcedora de coração. “Meu filho mais velho já jogou no Guarani, o meu mais novo participa do Projeto Bugrinho em Valinhos e meu tio, já falecido, Zé Duarte, foi técnico do time”, explica.

Ele também faz questão de comentar sobre a dificuldade de ser um time do interior. “A CBF – Confederação Brasileira de Futebol – nunca vai olhar para o Guarani. Cada dia caindo e se afundando mais, acabamos esquecidos”. E para 2014, ele espera pelo menos mais profissionalismo. “Subir para a Série A do Paulistão é obrigação, o Guarani não é time pra disputar a A2. E no Campeonato Brasileiro, não podemos esperar mais do que o acesso à Serie B”, torce.

E não são só os homens que sofrem com esse cenário. A valinhense Marcelle Marques, de 20 anos, vai em todos os jogos que pode e lamenta a situação. “Não importa a série. A,B ou C, estou lá! Espero que 2014 seja de muitas mudanças, capacidade o Guarani tem”, comenta ela.

E sobre o sentimento de pensar que um dia o Brinco de Ouro se vá, pois além da possibilidade de leilão, há também uma proposta para derrubar o estádio, ela é categórica. “Não consigo nem imaginar, mas espero que já tenham um bom projeto em mente”, completa.

*Matéria publicada no jornal Folha de Valinhos - edição  02/11/2013

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