sábado, 2 de novembro de 2013

Guarani: a esperança verde do interior

Estádio do time entra em leilão para sanar dívidas


O lugar preferido de Marcelle no Brinco de ouro: a arquibancada
Mais de 100 anos de histórias, atualmente na Série C do Campeonato Brasileiro, na Séria A2 do Paulista, sem técnico e com dispensas no time. O Guarani Futebol Clube não vive seu melhor momento. E antes fossem só estes os problemas da equipe alviverde, a única campeã do interior.

Na última quarta-feira (30), o Estádio Brinco de Ouro da Princesa foi a leilão por conta de dívidas feitas pelo clube durante os diversos mandatos fracassados. O débito acumula milhões de reais e o Brinco de Ouro está avaliado em 210 milhões, embora a diretoria acredite que a área equivale a, no mínimo, R$ 500 milhões. A falta de um lance mínimo impediu o clube de perder seu estádio.

Uma proposta no valor de R$ 105 milhões não foi aceita por ser menor do que o valor estipulado de início, 147 milhões. Dos males o menor. Com isso o clube mantém a posse do Brinco de Ouro, mas não impede a realização de um novo leilão. A Justiça avaliará a situação do estádio e deve agendar um novo evento em breve, com uma adequação do valor do lance mínimo.

O patrimônio histórico pode valer pouco para os dirigentes, que colocaram o clube nesta situação, mas para os torcedores, o Brinco de Ouro, vale mais do que qualquer quilate do metal precioso que leva no nome. “A última alegria que me recordo foi em 2004, depois só tristeza”, comenta Fabiano Duarte, conhecido em Valinhos como Bugrino. E ele ainda lembra das zoações que sofre todos os dias: “é tiração de sarro todo tempo, todos torcedores estão chateados, nunca vi o time nessa situação”.

Torcedor desde nascença, Bugrino frequenta o estádio com a família, que também é torcedora de coração. “Meu filho mais velho já jogou no Guarani, o meu mais novo participa do Projeto Bugrinho em Valinhos e meu tio, já falecido, Zé Duarte, foi técnico do time”, explica.

Ele também faz questão de comentar sobre a dificuldade de ser um time do interior. “A CBF – Confederação Brasileira de Futebol – nunca vai olhar para o Guarani. Cada dia caindo e se afundando mais, acabamos esquecidos”. E para 2014, ele espera pelo menos mais profissionalismo. “Subir para a Série A do Paulistão é obrigação, o Guarani não é time pra disputar a A2. E no Campeonato Brasileiro, não podemos esperar mais do que o acesso à Serie B”, torce.

E não são só os homens que sofrem com esse cenário. A valinhense Marcelle Marques, de 20 anos, vai em todos os jogos que pode e lamenta a situação. “Não importa a série. A,B ou C, estou lá! Espero que 2014 seja de muitas mudanças, capacidade o Guarani tem”, comenta ela.

E sobre o sentimento de pensar que um dia o Brinco de Ouro se vá, pois além da possibilidade de leilão, há também uma proposta para derrubar o estádio, ela é categórica. “Não consigo nem imaginar, mas espero que já tenham um bom projeto em mente”, completa.

*Matéria publicada no jornal Folha de Valinhos - edição  02/11/2013




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