segunda-feira, 23 de março de 2015

“A sociedade não está pronta para recebê-los”, diz psicóloga da APAE

Dra. Márcia Taparelli explica que todo portador tem direito de ser humano

Da esquerda para a direita: Rodrigo Rosa, Zé Carlos, Clarinha, Michel Brunelli e Anderson Moscatini são
alguns dos assistidos pela APAE 

O Dia Mundial da Síndrome de Down foi no último sábado, 21, e merece ser celebrado todos os dias, isso porque muitos acreditam que o portador da Síndrome é diferente dos demais seres humanos. Mas em conversa com as psicólogas da APAE de Valinhos vemos que o panorama é diferente.

“Não é o Síndrome de Down (SD) que não está pronto para ser inserido na sociedade. É a sociedade que não está pronta para recebê-los”, explica a psicóloga Dra. Márcia Hoguiuda Taparelli, que trabalha há 17 anos na APAE.

A também psicóloga Ana Paula Dias Klinke, há oito anos na APAE, conta que os SD são capazes de tudo. “Eles se dão os próprios limites, têm amizades com outros colegas da instituição e se ajudam entre si. Todos crescem e essas amizades são muito importantes”, explica.

Dra. Márcia conta que não existem graus na Síndrome. “A APAE trabalha com a família e mostra que o papel dela é fundamental no desenvolvimento da criança. A nossa primeira luta é pela vida, a Síndrome fica em segundo plano, isso porque muitos apresentam doenças, como a cardiopatia, a dificuldade em ganhar peso, e outras. Cada um tem suas particularidades”, lembra.

Com isso, o papel da APAE é deixar o aluno ao máximo na rede regular, dando estimulação precoce e todo apoio às famílias. “Alguns pais têm medo, mas os preparamos para enfrentar o preconceito, para saber lidar com os SD, pois eles são 100% eles todos os dias, e é preciso entender isso”, finaliza Dra. Márcia.

“Nesta data vamos celebrar todas as conquistas dos portadores. Em primeiro lugar os pais, em segundo as instituições e depois eles, pois sem estes dois primeiros nenhum estaria onde está hoje, tendo o direito de amar, estudar, o direito de ser feliz. Direito de ser humano”, completa.

A família
Inez Borges da Costa, de 35 anos, é mãe de Maria Clara Costa Magalhães, de 10. A filha que frequenta a APAE uma vez por semana para acompanhamento psicológico, e fisioterapeutico, é como qualquer outra criança, mas  ainda sofre preconceito na rua.

“Até hoje, em parques, as mães tiram os filhos de perto. No shopping, na escada rolante, vejo as pessoas me chamando e penso ‘será que é comigo?’. E eles chamam porque querem ver a Clarinha, como se ela fosse de outro mundo. Não me incomoda mais, mas isso precisa ser trabalhado na sociedade”, explica.

Clarinha, que desde os 3 anos está na APAE de Valinhos, se desenvolveu graças à família. “Se não fosse a APAE, que me orientou, hoje seria diferente. A Dra. Márcia foi um divisor de águas na minha relação com a Clara, é muito importante esse apoio pra família. Aqui aprendi que não sou psicóloga ou profissional, sou a mãe da Clara e ponto”, finaliza.

A APAE
A APAE de Valinhos trabalha com 25 portadores da Síndrome de Down, sendo que alguns frequentam a entidade todos os dias e outros apenas uma vez por semana para acompanhamento psicológico e fisioterapêutico.
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TEATRO VEM SER

Teatro ajuda no desenvolvimento de assistidos da APAE
Portadores da Síndrome de Down, junto de outros deficientes, fazem parte do Grupo Vem Ser

Acometidos por uma alteração genética, os portadores de Síndrome de Down (SD) são, realmente, pessoais especiais, mas não por suas condições e sim pelas pessoas que são. Na Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), o Grupo de Teatro Vem Ser é um grande exemplo de como o SD pode e deve ser inserido na sociedade.

Michel Brunelli, portador da SD e um dos atores, quando perguntado sobre como o grupo ajuda em sua vida foi categórico: “tudo”. O rapaz , de 33 anos, frequenta o teatro há anos e sabe da importância da expressão em sua evolução e tem certeza da sua capacidade em ser como todos os outros que são considerados “normais”.

E normais mesmo são as atitudes do SD, assim como de todos os outros deficientes que freqüentam a APAE. “Nosso dever é refazer o preconceito que as pessoas têm com todos os deficientes”, explica Deise Kratza, que faz parte do grupo e é amiga de todos os colegas que têm a Síndrome de Down.

Ana Paula Tieko, coordenadora do teatro, explica que essa interação entre eles é necessária e traz bons frutos. “Em uma discussão a respeito do teatro que apresentamos nesta sexta, em homenagem aos portadores da Síndrome, os deficientes e os downs chegaram a uma conclusão: são todos iguais. E isso é interessante, pois eles se ajudam, cada um dentro de suas limitações, desde subir no ônibus, até controlar quando um está mais animado do que o normal”, diz.

E essas atitudes são reflexo da participação no teatro, que traz uma mudança de postura e conduta de todos. “O síndrome tem dificuldade de expressão oral, facial, gestual. Tem retração social que dificulta a convivência e o teatro traz a oportunidade de desenvolver habilidades”, diz Dra. Márcia Hoguiuda Taparelli, psicóloga da APAE.

E o reconhecimento que os alunos recebem é de extrema importância. “É muito bom os alunos serem reconhecidos. Eles freqüentam empresas e são vistos, são incentivados e motivados a participarem”, completa Ana Paula Dias Klinke, também psicóloga.

Participação
Segundo Ana Paula Tieko, os participantes não são escolhidos para o teatro. “Eles começam a fazer parte do grupo por demonstrarem interesse, por terem desejo. Eles se comprometem e têm muita dedicação e responsabilidade com o grupo”, explica.

Ainda de acordo com Ana Paula, o teatro visa contar para a sociedade como é a vida dos deficientes. “Mostrar para o público como eles enxergam a sociedade também é importante. A gente sempre passa o recado 'na lata', sem dar muitas voltas, indo direto ao assunto”, finaliza.

O Grupo Vem Ser tem apoio da Secretaria de Cultura de Valinhos e mais informações podem ser obtidas através do Facebook www.facebook.com/vemser.teatro ou pelo telefone (19) 3303 4500.


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terça-feira, 10 de março de 2015

Maria da Penha diz que mulher tem direito de viver sem violência

Símbolo maior da luta contra a violência doméstica, Maria da Penha diz que para Lei ser consolidada é preciso ações do poder público

Em especial para o Dia da Mulher, a Folha de Valinhos trouxe uma entrevista exclusiva com a mulher símbolo da luta contra a violência doméstica, não só no Brasil, mas também no mundo. Maria da Penha, conhecida por ter seu nome estampado na Lei que defende as mulheres, falou sobre o trabalho de sua instituição, sobre a responsabilidade da causa e outros assuntos referentes à Lei 11340/06, sancionada em 2006, pelo então presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva.

Vítima de agressões de seu ex-parceiro, Maria da Penha, no ano de 1983, não precisou denunciar o agressor. “A Secretaria de Segurança descobriu que fui agredida através de um assalto simulado pelo meu ex-marido. Fiquei hospitalizada e seis meses depois a polícia chegou a essa conclusão”, explica.

Entretanto, com uma realidade bem diferente atualmente, a mulher, mesmo amparada pela Lei, ainda tem medo de denunciar a violência. “Eu não tive medo, porque estava com as provas reais no meu processo, tudo muito evidente. Houve uma clareza por parte do promotor, do advogado e do defensor. Não havia nenhuma dúvida de ele ser o autor das tentativas de homicídio”, explica Maria, que ainda comenta que, além do tribunal, nunca mais teve contato com o ex-parceiro.

Neste panorama, Maria faz questão de ressaltar que a mulher agredida precisa ser inteligente. “É preciso inteligência ao usar a lei. Além disso, não é preciso avisar ao agressor de que ele será denunciado, é preciso, sigilosamente, procurar ajuda e se a mulher não souber onde procurar, existe o número 180, que é gratuito e funciona todos os dias da semana, 24 horas por dia, onde o atendente é capacitado para orientar a todas”, lembra.

Maria da Penha ainda comenta que antes mesmo da denúncia, a mulher pode procurar um centro de referência. “Os centros são locais excepcionais de atendimento, onde a mulher tem serviço psicológico, jurídico e social. Lá, ela vai ser orientada de como sair da situação e, assim, depois, ela decide, dentro de sua consciência, o que fazer da vida dela. E também, existem as casas de abrigo, que mantém em sigilo o local qual a mulher está, para que a mesma possa ter segurança de todas as maneiras”, explica.

Porém, não são todas as cidades que contam com o necessário para a proteção da mulher. “A única coisa que está faltando para a Lei ser consolidada em todo território nacional é os próprios prefeitos se conscientizarem de que é preciso ter um centro de referência, uma Delegacia da Mulher, Juizado e a Casa Abrigo. Mas também a mulher que mora em um município pequeno pode ser transferida para um abrigo em uma cidade maior”, finaliza.

Quanto à responsabilidade de ter seu nome estampado na Lei, Maria da Penha é orgulhosa. “Sei que preciso lutar, alertando que toda mulher tem direito a uma vida sem violência. E toda mulher pode ter essa vida. Exatamente por isso temos uma lei que pune o agressor”, lembra.

A luta
A batalha travada contra o agressor de Maria da Penha durou 19 anos e seis meses. “Quando faltavam seis meses para o crime prescrever, uma ONG internacional (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) teve acesso ao meu livro 'Sobrevivi' e o tramite do caso foi julgado fora do país, sendo o Brasil condenado depois”, isso porque a agressão sobre Maria da Penha foi considerada a primeira violência doméstica no mundo todo.
Mas condenado em 1999 a oito anos de prisão, o ex-marido foi solto dois anos depois. “Eu acho que uma punição dessa não representa punição, mas as leis eram assim na época em que ele foi julgado. Agora também teremos a Lei do Feminicídio (que será sancionada na segunda-feira, 9, e tornará o assassinato de mulheres um crime hediondo), que é muito importante, porque agora teremos mais agilidade nos casos e uma dureza maior nas penas”.

O instituto
O Instituto Maria da Penha (IMP) com sede em Fortaleza e representação em Recife é uma organização não governamental sem fins lucrativos. “Através da educação, levamos para as comunidades informações, mostrando o quanto as mulheres são livres e ensinamos como identificar uma mulher que tenha sido vítima de agressão. Além disso, trabalhamos com universidades e também visitamos escolas”, explica Maria da Penha.

Mais informações sobre a instituição podem ser obtidas no site www.mariadapenha.org.br
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