| Gabriel Rossi e Luca Di Vito se dividem entre os estudos e a arte circense |
Quem são eles? Essa pergunta permeia a cabeça dos motoristas
que param nos semáforos da Av. dos Esportes e dão de cara com artistas de rua.
Há meses jovens são vistos fazendo malabares e arrecadando dinheiro nesta via.
Mas, engana-se quem acha que eles estão ali apenas para ganhar um trocado. Os
rapazes sonham mais alto e querem propagar a arte gratuitamente.
“Conheci um amigo que viajou a América fazendo malabares e
isso me inspirou. A gente quer mudar o cotidiano, atingir o sentimento e as
percepções das pessoas”, explica Luca Di Vito, de 22 anos.
O companheiro de picadeiro Gabriel Rossi, de 20 anos, compartilha
do mesmo pensamento. “Seria hipócrita se dissesse que não é pelo dinheiro, mas
também não é só por ele. Hoje a arte está sendo vendida e é um prazer poder
mostrar a nossa para o povo, gratuitamente”, comenta.
Os jovens se dividem entre a faculdade de Ciências Sociais
na Unicamp e a arte circense. “Praticamos os malabares há pelo menos três anos.
Nas ruas trabalhamos há dois. É uma correria normal igual de qualquer
trabalhador. Às vezes até mais
complicada, pois tudo sai do nosso bolso, começando pela passagem de ônibus e no final do mês precisamos pagar contas. ”,
diz Rossi.
| Rossi tem 20 anos |
Os espetáculos proporcionados pelos jovens são instantâneos.
O semáforo fecha, eles entram em cena e encantam o público. E claro, existem
sempre as saias justas. “É normal errar na hora dos números, tem que saber agir
pra poder contornar”, explica Di Vito.
Mas os desafios não impedem os garotos de continuar. Em
qualquer lugar eles levam a arte. “Itatiba, Campinas e até em Minas já fizemos
bastante trabalhos para poder comer ou dormir”, conta Rossi. Sobre o quanto recebem,
varia. “Depende do dia, às vezes uma só pessoa é generosa e salva a gente”,
completa.
Os garotos não gostam de rótulos. “Muitas vezes as pessoas
veem a gente na rua e não sabem porque estamos aqui. Não gostamos de nos
definir, mas somos artistas de rua, malabaristas ou malabaristas e artistas de
rua, não sabemos”, contam os dois aos risos.
Com relação ao futuro, eles não pretendem parar com a arte. “Acho
que sempre vou fazer isso, mesmo que for atingindo o público de um jeito
diferente. Procuramos sempre evoluir, correr atrás sozinhos e meu sonho é
viajar o mundo assim como meu amigo”, comenta Di Vito.
*Matéria publicada no jornal Folha de Valinhos - edição 30/11/2013

