Tão comuns quanto qualquer outro, o que os difere é apenas uma alteração genética
Eles têm muitas diferenças. Uns são mais independentes, outros são mais reservados, alguns já trabalharam e outros ainda não estão prontos para este desafio. Mas eles também têm muita coisa em comum. São exemplos de superação, de força de vontade e de alegria de viver. E, além disso, recebem um imenso amor das famílias, que os torna semelhantes a qualquer outra pessoa.
No Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado nesta sexta, dia 21, a Folha de Valinhos conversou com famílias que contaram sobre o momento que descobriram o diagnóstico de que o filho era portador de um distúrbio genético.
José Carlos nasceu há 29 anos. Quinto filho de Sr. Raimundo e dona Olinda, o caçula da família Gonzaga foi tão bem recebido quanto qualquer um dos outros irmãos. Embora a mãe tenha sofrido preconceito, nunca houve diferença e muito menos vergonha. "As pessoas saiam de perto e não deixavam ninguém brincar com o José, mas isso nunca foi problema para nós", conta a irmã Lúcia, que lembra que antigamente não havia muitas informações, e que embora atualmente esteja melhor, ainda há muito o que melhorar.
O jovem frequenta a APAE, faz teatro, futebol e outras atividades. José rabisca e escreve, mas nunca trabalhou. A comunicação em casa é ótima, assim como a relação entre todos. José chegou apenas para somar.
| Rodrigo é o único filho de dona Nair e Sr. Rosalino |
Rodrigo Algeri de Rosa, de 37 anos, é filho único. Os pais Nair e Rosalino optaram por não ter mais filhos, pois, segundo o médico do casal, a chance de ter mais um com a Síndrome era possível. "Gostaria de ter tido mais filhos, mas era arriscado. Imagina cuidar de dois?", conta a mãe, dona Nair.
Rodrigo foi diagnosticado com Síndrome aos 2 meses de idade. "No início foi meio complicado, foi um susto, não esperava, para mim ele era como qualquer outro", lembra dona Nair.
Mas ela não estava enganada, Rodrigo é igual a todos. Ele frequenta a APAE, toca gaita, torce para o Corinthians, ajuda nas tarefas de casa, faz teatro e é adorado por todos os vizinhos, que o acolheram muito bem. "O Rodrigo tem um pai carinhoso, ele mudou nossa vida para melhor", comenta Sr. Rosalino.
| Dona Cecilia cuidava de Anderson. Hoje é cuidada por ele |
Mas isso tem um motivo. O pai faleceu quando Anderson tinha 8 anos de idade. Hoje, dona Cecília e o rapaz moram sozinhos. "Ele é um anjo em minha vida, não tem outra forma de descrevê-lo. Penso que quando eu for embora, gostaria de levá-lo junto, mas seria muito egoísmo da minha parte", conta aos risos.
Quanto ao dia da descoberta, Cecília diz que não imaginava. "Desde que cheguei do hospital a turma falava que ele era meio "japonesinho". A gente percebia que ele não respondia muito aos nossos chamados, mas fomos pegos de surpresa", explica.
Anderson entrou na APAE aos 8 anos, hoje sabe ler e escrever e trabalhou durante 9 anos na Papelaria Colegial. É carinhoso, atencioso e muito educado. "Onde estou ele está atrás, se eu deito ele deita perto, se vou à padaria ele me dá a mão, ele cuida de mim", relata dona Cecília.
* Matéria escrita para o jornal Folha de Valinhos - edição 2377 - 22/03/2014
* Matéria escrita para o jornal Folha de Valinhos - edição 2377 - 22/03/2014

